18.11.17

A casa caiu, mana

Deputado anti-LGBT renuncia após ser flagrado fazendo sexo com outro homem
Nos EUA, o deputado estadual republicano Wes Goodman, 33, uma das principais vozes anti-LGBT no Ohio, renunciou após ter sido supostamente flagrado fazendo sexo com um homem em seu gabinete, segundo o jornal "Columbus Dispatch".
Goodman, que pregava por "valores da família" e era chamado de "a consciência do movimento conservador", renunciou por "conduta inapropriada" após uma reunião com o líder republicano do casa legislativa estadual, Cliff Rosenberger. O porta-voz de Rosenberger, Brad Miller, disse que o homem não era funcionário ou deputado da assembleia legislativa, e que o encontro, embora tenha sido consensual, foi uma "atividade inapropriada para um representante estadual". "Me encontrei com ele [Goodman] e ele aceitou e confirmou as alegações", disse
Rosenberger afirmou em nota, segundo a Associated Press. "Tornou-se claro que sua renúncia era a conduta mais apropriada para ele, para sua família, para seus eleitores e para esta instituição." Goodman é casado com uma mulher que é diretora-assistente da Marcha pela Vida, evento anual contra o aborto. "Todos nós trazemos nossas próprias lutas e provações à vida pública", disse Goodman em nota na última quarta-feira (14).
"Isso tem sido verdade para mim, e sinceramente me arrependo que minhas ações e minhas escolhas me impediram de servir meus eleitores e nosso Estado de maneira que reflita os melhores ideais do serviço público. Para aqueles a quem desapontei, sinto muito." "Ao passar ao próximo capítulo da minha vida, sinceramente peço privacidade para mim, para minha família e para meus amigos."
Goodman, cuja biografia no Twitter o descrevia como "Cristão. Americano. Conservador. Republicano. Casado com @Beth1027", frequentemente afirmava que "o casamento natural" era aquele entre um homem e uma mulher.
"Famílias saudáveis, vibrantes, orientadas a valores e que prosperam são a fonte da história orgulhosa de Ohio e a chave para o futuro grandioso de Ohio", dizia seu site de campanha, que agora está offline, segundo a Fox News.

Fonte: Empoderadxs

17.10.16

Fotografia: Lone Star

Lone Star by Steven Klein for Dutch Magazine May/June 2000

13.10.16

MC Linn da Quebrada - Talento ao vivo na Periferia Trans / 2016

MC Linn da Quebrada - Talento / letra 👄


Não adianta pedir (x4)
Não adianta pedir que eu não vou te chupar escondida no banheiro
Você sabe, sou muito gulosa
Não quero sua pica quero o corpo inteiro
 Vem Vem com esse papo Feminina tu não come

 Quem disse que eu linda assim vou querer dar meu cu pra homem
Ainda mais da sua laia
Que raça tão específica
Que acha que pode tudo com a força de Deus e na glória da pica

Já tava na cara que tava pra ser instinto
Que não adiantava nada bancar o machão se valendo de pinto
Se achou o gostosão
Pensou que ia engolir
 Ser bicha não é só da o cu,
 É também poder resistir

Vou te confessar que às vezes nem eu me aguento
Pra ser tão viado assim precisa ter muito, mas muito talento
Vou te confessar que às vezes nem eu me aguento
 Pra ser tão viado assim precisa ter muito, mas muito talento
Vou te confessar (x3) tá  lento.
Vou te confessar que às vezes nem eu me aguento
Pra ser tão viado assim precisa ter muito, mas muito talento
 Vou te confessar (x3) Talento, vou te confessar

16.8.16

Nossa amada Elke Maravilha nos deixou hoje mas a sua graça jamais nos deixá!

Elke Maravilha sempre maravilhosa, tenha certeza de que ela está em um bom lugar. Um exemplo de como levar a vida: leve, humilde, empoderada e acessível. Muito amada! O músico Itamar Assumpção fez uma homenagem à Elke no seu disco de 98 chamado Pretobrás - Por que eu não pensei nisso antes?! com a música Elke Maravilha. Descanse em paz Elke, a sua vida foi linda! Te amamos!

12.1.16

Como a Alemanha ensina sobre a homossexualidade

Existem diversas formas de falar para as crianças sobre a diversidade de gênero e orientação sexual das pessoas, o importante é educá-las para serem tolerantes com a diferença.
Em um livro chamado “Daddy’s Roommate” (Algo como “Colega de quarto do papai”), a Alemanha está usando como cartilha de aprendizagem para crianças. O objetivo é abordar com frases curtas e ilustrações simples a questão da homossexualidade, o livro ensina valores de compreensão e aceitação de um garoto em que o pai divorciado vive com um parceiro homossexual.
Lançado ainda na década de 90, o livro foi um dos primeiros a abordar a questão de maneira ampla e positiva na Europa. Veja um trecho do livro legendado:




Fonte: http://razoesparaacreditar.com/igualdade/veja-como-a-alemanha-explica-a-homossexualidade-para-as-criancas/

29.8.14

Kraftwerkianamente, eu colo-velcro!

Todo dia 29/08 é dia da Visibilidade Lésbica! 

Prometemos fazer um especial definitivo com + de 44 postagens! 

Enquanto isso curta um clipe da amada Ângela Rô Rô e depois o especial que a Revista Geni preparou! http://revistageni.org/#14

5.8.14

Procurador-geral da República encaminha ao Supremo Tribunal Federal parecer que defende enquadrar homofobia como crime de racismo

O procurador-geral da República, Janot,  afirma que existe "clara ausência" de norma que regulamente a questão, o que torna inviável o exercício da liberdade de orientação sexual e identidade de gênero


A homofobia deve ser enquadrada como crime de racismo, na avaliação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Na falta de uma lei específica sobre o tema, Janot enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) manifestação favorável para aplicar as penas de racismo nos casos de homofobia e transfobia. A pena para quem pratica, induz ou incita a discriminação ou preconceito de raça, cor, religião ou procedência nacional, pela lei, é de reclusão de 1 a 3 anos e multa.

O procurador considerou que a alternativa seria aplicar as sanções previstas no Projeto de Lei 122, de 2006, que criminaliza a homofobia; ou o Projeto de Código Penal que tramita no Senado, até que o Congresso Nacional edite legislação específica. No parecer, Janot afirma que existe "clara ausência" de norma que regulamente a questão, o que torna inviável o exercício da liberdade de orientação sexual e identidade de gênero.
 
Prazo
A avaliação do procurador é de que a legislação atual não dá conta da discriminação em razão de orientação sexual. Para Janot que considera "patente" a duração excessiva no Legislativo da proposta sobre o tema, é importante que o Supremo se manifeste para acelerar a produção normativa que criminaliza a homofobia.
Por isso, afirma no parecer que cabe a fixação de prazo razoável para que o processo legislativo se encerre. A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) sugere que o prazo seja de um ano. A associação entrou no STF com a ação pedindo a criminalização.

28.7.14

Música: Lorde aos vivos e cantantes

Se ainda não posso dizer que a mara Lorde é sapatão, posso ao menos mostrá-la com um (risos)

15.7.14

Homossexualidade indígena no Brasil: desafios de uma pesquisa

Estevão Rafael Fernandes
Professor da Universidade Federal de Rondônia
Doutorando em Estudos Comparados sobre as Américas
Universidade de Brasília



Este texto busca levantar alguns dos questionamentos que tenho elaborado desde que escolhi como tema de pesquisa o ativismo homossexual indígena no Brasil a partir de uma perspectiva comparada com os Estados Unidos. Na verdade, tratam estas reflexões justamente do que eu não tenho encontrado na literatura e como, a partir disso, minhas preocupações analíticas vêm tomando corpo.  
 Ao longo da pesquisa tenho observado que há, no Brasil, diversas referências a sexualidades indígenas operando fora do modelo heteronormativo desde a colonização. Autores como Mott (2011), por exemplo, trazem inúmeros exemplos de como o “pecado nefando” e a “pederastia” eram algo relativamente comum entre os indígenas: os Tupinambá chamariam de tibira aos homens e deçacoaimbeguira às mulheres que fossem o que se chamaria hoje de “homossexuais” (adiante problematizarei isso, inclusive o título que dei a este texto); entre os Guaicurus eles seriam chamados cudinhos, entre os Mbya,guaxu; entre os Krahò, cunin; entre os Kadiwéu, kudina; entre os Javaé,hawakyni; e assim por diante. Vários antropólogos (Wagley, 1977; Clastres, 1995,2003; Lévi-Strauss, 1996; Gregor, 1985; Murphy, 1955; Métraux, 1948; Darcy Ribeiro, 1997; para citarmos apenas alguns) mencionariam, ainda que en passant em suas etnografias, práticas que seriam classificadas a primeira vista como “homo” ou “bissexualidade”[i].
 Ao longo da pesquisa, noto que esse mapeamento de práticas e autores traz uma série de implicações (epistemológicas, políticas, conceituais, etc.) que compensam um esforço de sistematização como o que se pretende este artigo.
 Em primeiro lugar, termos como bi, homo, trans, etc., não são unívocos, nem política ou epistemologicamente neutros. Práticas como a masturbação entre cunhados, ou o sexo anal ocasional em caçadas e rituais não podem ser percebidos como práticas homossexuais sem problematizações. Tampouco a simples tradução das práticas percebidas como “sexualmente desviantes” para termos indígenas (como feito acima) dá conta da complexidade analítica que a questão implica. Nesse sentido, e seguindo aqui o que escrevem os ativistas two-spirit (ver adiante a explicação sobre tal termo), talvez seja mais produtivo pensar em termos de “queer indígena”, uma vez que tal perspectiva deslocaria o foco analítico das práticas, em si, e colocaria em evidência as relações de poder que historicamente moldaram a heterossexualidade compulsória a que os indígenas foram submetidos.
 Justifico entretanto o mapeamento dessas condutas pelo interesse em mostrar como tal conjunto de práticas era comum em sociedades indígenas brasileiras, sem que houvessem estigmas sobre essas pessoas por parte de seu grupo. Tem sido bastante comum, ao longo da realização do trabalho de campo – realizado desde 2012 junto a indígenas e órgãos do governo responsável pela gestão da política indigenista no Brasil, além de setores dos movimentos indígenas e homossexuais no Brasil e nos Estados Unidos -; ouvir que casos de homo/bi/transexualidade nas aldeias existem por conta da “perda de cultura” ou da “depravação advinda do contato”. Contudo, há várias fontes apontando para um papel espiritual central desempenhado por esses indivíduos em suas aldeias: o que os missionários e colonizadores percebiam como uma depravação era, muitas vezes, percebido como potencial xamânico pelos indígenas. 
Assim, a experiência indígena norte-americana é bastante interessante. Lá, como cá, sexualidades fora do modelo predominante foram também perseguidas por portugueses, ingleses, franceses e espanhóis. Diversas denominações foram utilizadas para se referir a esses indígenas, quase sempre com uma forte carga estigmatizante (“berdache”, por exemplo, termo de uso corrente até bem recentemente entre antropólogos, tem sua origem em uma expressão árabe, que se refere ao menino submetido a relações de pederastia). Ao longo dos anos 80, quando os indígenas começam a ser infectados com HIV e retornam às suas aldeias para morrer com suas famílias são, em princípio, rechaçados por sua comunidade. De um modo geral, a acusação era de que eles seriam soropositivos por serem “degenerados”, uma vez que teriam abandonado suas culturas e se tornado gays, devido ao contato com o não-indígena. Sua resposta viria como uma crítica ao aparato colonial moldada a partir de uma identidade pan-indígena e amparada por um discurso espiritual. 
Em sua própria visão, eles não teriam abandonado suas culturas, ao contrário, seriam parte de uma tradição de diversos povos nativo-americanos de pessoas two-spirit - em uma tradução livre, aquele/a com dois espíritos. Assim, eles não seriam “gays”, mas pessoas de dois espíritos (de homem e de mulher), estando em transição entre os dois mundos: masculino e feminino, espiritual e terreno, indígena e não-indígena, o que lhes garantiria um papel de destaque em seus povos. Um exemplo disso seria We’wha, indígena Zuni que chegou a encontrar-se com o presidente Grover Cleveland no final do século XIX, passando seis meses em Washington. 
Assim, na década de 80 surgem diversas organizações two-spirit no Canadá e nos Estados Unidos e, em 1990, após um encontro em Winnipeg, esse/as indígenas passam a rechaçar qualquer outra denominação (como “berdache”, por exemplo). Na prática, isso significaria mais que uma simples mudança de denominação: assumir-se como dois espíritos não apenas focava no papel espiritual da pessoa (e não em suas práticas sexuais) como também significa uma crítica ao processo de colonização: parte considerável dos escritos produzidos por autores e ativistas two-spirit se assenta na análise e crítica aos processos de colonização que os estigmatizaram. 
Além disso, essas lideranças se viam diante do desafio de se consolidar como grupo autônomo e com agenda própria, estando à margem dos movimentos indígena e LGBTIQ[ii]. Cabe notar que o movimento indígena não lhes dava espaço, por serem homo/bi/transexuais; tampouco o movimento LGBTIQ lhes dava voz, por serem indígenas. Mais recentemente, contudo, várias obras de autores e ativistas two-spirit vêm sendo publicadas e parte considerável dos estados dos Estados Unidos e Canadá contam já com organizações two-spirit. 
Nesse sentido, em um primeiro momento, minhas preocupações analíticas partiam da pergunta: “por que nos Estados Unidos e Canadá houve condições para um movimento continental, a partir de um discurso tradicional e de uma identidade pan-indígena em torno dessas sexualidades indígenas enquanto que, no Brasil, o fenômeno é enxergado (quando é) como perda cultural?”. Dito de forma mais direta: “por que lá sim e aqui não?”. Evidentemente que tais pontos de partida funcionaram como pontos de partida e só. Definir o movimento no Brasil pela falta, ou supervalorizar a iniciativa dos indígenas norte-americanos é algo que apenas reforça relações de poder e um modelo de Estado que nada tem a ver com o nosso. Lá, há uma solução que funciona lá, ponto final. 
Assim, a pergunta fundamental parece ser: para que desafios essas questões, trazidas aqui, apontam? Penso que elas nos impelem a repensar nossas próprias ferramentas analíticas e conceituais. O que tais processos nos permitem compreender sobre a própria articulação interna aos movimentos indígenas, movimentos LGBTIQ, academia, OnGs e Governo? De que maneiras podemos abordar essas questões sem que limitemos a diversidade de processos aqui descritos – mesmo que resumidamente – em nossa interpretação? Aspas – como chamar esses fenômenos de “homossexualidade”, ou “queer indígena” – bastam, ou é necessário repensarmos mesmo os paradigmas que perpassam essas categorias e outras, como “identidade”, “ativismo”, “movimentos sociais”, “poder”, “gênero”, “sexualidade”, “colonização”, para citarmos apenas algumas? 
Diversos elementos vêm surgindo no trabalho de campo[iii]: quais as implicações, para gestores em saúde, da demanda de um indígena que recentemente entrou com pedido para uma cirurgia de mudança de sexo? Lideranças travestis assumem sua sexualidade em suas relações fora da aldeia mas, dentro do movimento indígena, não tocam no tema. O que tais fatos nos permitem compreender sobre a forma de articulação desses indivíduos com os movimentos indígenas e com as organizações não-indígenas? Encontrei também o caso de um grupo indígena que tem seu próprio time de futebol de indígenas homo/bi/trans. Como essa realidade opera em termos de relações de poder dentro da aldeia, uma vez que se trata de um grupo – neste caso específico – vitimizado por preconceitos nas relações cotidianas? Em outro povo, registro grupos de indígenas que, se percebendo como sexualmente diferentes do restante do grupo, criaram padrões próprios de pintura corporal. 
Evidentemente que cada um desses casos citados acima possui especificidades e desafios analíticos próprios mas, em termos comparativos, eles nos servem para interpretação antropológica? A busca por tal resposta é, no mínimo, instigante. 

Referências Bibliográficas
 BALDUS, Herbert. 1937. Ensaios de etnologia Brasileira. São Paulo, Rio de Janeiro, Recife: Companhia Editora Nacional. 
CLASTRES, Pierre. 1995. Crônica dos Índios Guayaki: o que sabem os Aché, caçadores nômades do Paraguai. Rio de Janeiro: Ed.34. 
_____. 2003. A sociedade contra o Estado: pesquisas de Antropologia Política. São Paulo: Cosac & Naify. 
D’ABEVILLE, Claude. 1945. História da Missão dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão e terras circunvizinhas; em que se trata das singularidades admiráveis e dos costumes estranhos dos índios habitantes do país. São Paulo: Livraria Martins Fontes Editora.
 FERNANDES, Estevão R. “Ativismo homossexual indígena e decolonialidade: da teoria queer às críticas two-spirit”. 37º Encontro Anual da ANPOCS, SPG 16 Sexualidade e gênero: espaço, corporalidades e relações de poder. Águas de Lindoia, SP, de 23 a 27 de setembro de 2013. 
_____. “Homossexualidades indígenas e decolonialidade: algumas reflexões a partir das críticas two-spirit”. Tabula Rasa (Colômbia). 2014. No prelo.
 GANDAVO, Pero de Magalhães de. 1858. História da Província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos BrasilLisboa: Typographia da Academia Real das Sciencias.
 GREGOR, Thomas. 1985. Anxious pleasures: the sexual lives of an Amazonia people. Chicago: University of Chicago Press.
 LÉRY, Jean de. 1941. Viagem à terra do Brasil. São Paulo. Livraria Martins.
 LÉVI-STRAUSSClaude1996. Tristes Trópicos. São Paulo: Companhia das Letras. 1996.
 MAGALHÃES, Couto de. 1876. “Parte II: Origens, costumes e região selvagem”. O Selvagem. Rio de Janeiro: Typographia da Reforma.
 MÉTRAUX, Alfred. 1948. “Ethnography of the Chaco”. In: J. H. Steward (Ed). Handbook of South American IndiansVol 1. The Marginal Tribes. Smithsonian Institution Bureau of American Ethnology. Bulletin 143. Washington: United States Government Printing Office.
 MURPHY, Robert; QUAIN, Buell Quain. 1955. The Trumaí Indians of Central BrazilSeattle & London: University of Washington Press.
 MOTT, Luiz. 2011. “A homossexualidade entre os índios do Novo Mundo antes da chegada do homem branco”. In: Ivo Brito et al. Sexualidade e saúde indígenas. Brasília: Paralelo 15.
 NÓBREGA, Manuel da. 1931. Cartas do Brasil (1549-1560). Rio de Janeiro: officina Industrial Graphica.
 RIBEIRO, Darcy1997. Confissões. São Paulo: Companhia das Letras.
 ROSÁRIO, José Manuel. 1839. História dos índios cavalleiros, ou da nação guaycurú, escripta no real presídio de Coimbra por Francisco Rodrigues do Prado – Trasladada de um manuscripto offerecido ao Instituto pelo Socio Correspondente José Manuel do Rosário”. Revista do Instituto Histórico e Geographico do Brazil, Tomo I, n. 1, 1º trimestre.
 SOUSA, Gabriel Soares de. 2000. Tratado descritivo do Brasil em 1587; edição castigada pelo estudo e exame de muitos códices manuscritos existentes no Brasil, em Portugal, Espanha e França, acrescentada de alguns comentários por Francisco Adolfo de Varnhagen. Belo Horizonte: Editora Itatiaia.
 THEVET, André. 1944. Singularidades da França Antarctica: a que outros chamam de América. São Paulo: Companhia Editora Nacional.
 WAGLEY, Charles. 1977.  Welcome of Tears. Oxford University Press.
  

Estevão Rafael Fernandes
 Professor da Universidade Federal de RondôniaDoutorando em Estudos Comparados sobre as AméricasUniversidade de BrasíliaCurriculo Lattes



[i] Infelizmente, por uma questão tanto de estratégia de análise quanto de espaço não poderei aqui problematizar ou contextualizar da forma devida – e merecida – as menções que tais autores fazem sobre o tema, mesmo por ser algo ainda em desenvolvimento na confecção da minha tese. Posso adiantar, contudo, que tanto os etnólogos mencionados (incluindo outros, como Baldus, 1937; Couto de Magalhães, 1837; e Rosário, 1839) quanto os cronistas e missionários que abordam o tema (D’Abeville, Gandavo, Léry, Nóbrega, Thevet e Soares de Sousa) não problematizam a questão nem a inserem no corpuscosmológico ameríndio. Além disso – e como exponho a seguir – quase sempre esses autores não fazem maiores distinções em se tratando de terminologia, utilizando-se de “sodomia”, “nefando”, “homossexualidade”, “berdache”, etc., como se fossem termos sinônimos ou intercambiáveis, sem maiores problematizações. Se, por um lado, tal imprecisão oferece um problema ao pesquisador no que diz respeito à comparação e à análise, por outro, fornece uma outra possibilidade analítica, por colocar em questão o lugar de enunciação dessas fontes. Contudo, como assinalei, trata-se de um tema complexo cujo espaço e escopo, lamentavelmente, escapam a este texto.
[ii] Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transgêneros, Transexuais, Intersexuais e Queer. Vale notar que alguns intelectuais, ativistas e estudiosos cada vez mais vêm incorporando à sigla os 2-spirit, resultando na sigla LGBTIQ2
[iii] Agradeço aos pareceristas e editores da Novos Debates por me chamarem a atenção para um ponto nos exemplos que se seguem neste parágrafo: de que cada uma das realidades que aponto possui especificidades e dinâmicas próprias e, da forma como os dados são apresentados no texto a sensação que se tem é que tais dinâmicas são suprimidas ou omitidas. Justifico, contudo, minha estratégia de apresentação dos dados por: a) uma questão de espaço, condição inerente a estratégia de se apresentar dados e reflexões em artigos – neste sentido espero dar conta de expô-los mais apropriadamente na apresentação final da pesquisa e em textos em preparação; b) de ética, posto que opto pelo anonimato de indígenas e respectivas etnias para salvaguardar os entrevistados (indígenas, lideranças, servidores de órgãos públicos, representantes de movimentos sociais, etc.); e c) epistemológica, pois me proponho a pensar justamente o processo político implicado nas relações coloniais e de colonialidade (incluindo tutela, políticas de integração, missões, etc.) que levaram a uma heterossexualização indígena. A/ao leitor/a mais interessado/a, inquietações aqui apresentadas devem ser compreendidas como complementares a dois textos (Fernandes 2013 e Fernandes, 2014), onde alguns dados são mais bem trabalhados.
 Replicado de

3.6.14

HOZIER - Me leva pra igreja

Aos que defendem a "cura gay".

"Se sou um pagão dos bons tempos
Meu amor é a luz do sol...".
(Hozier)




Take me to Church

My lover's got humour
She's the giggle at a funeral
Knows everybody's disapproval
I should've worshiped her sooner
If the Heavens ever did speak
She is the last true mouthpiece
Every Sunday's getting more bleak
A fresh poison each week
'We were born sick,' you heard them say it
My church offers no absolutes
She tells me 'worship in the bedroom'
The only heaven I'll be sent to
Is when I'm alone with you
I was born sick, but I love it
Command me to be well
Amen. Amen. Amen

Take me to church 
I'll worship like a dog at the shrine of your lies 
I'll tell you my sins and you can sharpen your knife 
Offer me that deathless death 
Good God, let me give you my life 

If I'm a pagan of the good times
My lover's the sunlight
To keep the Goddess on my side
She demands a sacrifice
To drain the whole sea
Get something shiny
Something meaty for the main course
That's a fine looking high horse
What you got in the stable?
We've a lot of starving faithful
That looks tasty
That looks plenty
This is hungry work

No masters or kings when the ritual begins
There is no sweeter innocence than our gentle sin
In the madness and soil of that sad earthly scene
Only then I am human
Only then I am clean
Amen. Amen. Amen 

20.5.14

Confundindo G0ys com enrustidos

 Quadro " Becoming minority" de 2012 do Adomas Danusevičius.

Foi amplamente compartilhado o link de um desses "super" sítios de "entretenimento gay" cujo título é 'Conheça os G0ys, homens que se pegam, mas não se consideram gays'*. O termo é quase que impronunciável, mas todos sabemos muito bem o seu siginificado: bicha homofóbica!
Não se trata de uma nova afirmação da sexualidade, mas sim da negação dela. Por que não se considerar gay ou bi ao curtir transar como e com um? Por causa do heteronormativismo! Tão tentando normalizar a atitude tosca do enrustido e LGBTfóbico.
É verdade que o sexo do outro está na palma das mãos com tantos meios para tê-lo e que homens casados com mulheres ou não procuram conectar-se com outros disponíveis e afins. Os que conseguem ser hipócritas o suficiente para não considerarem-se gays ou bissex são é enrustidos. Não há nada de novo nisso... Tem até 2 funks punks sobre. Um deles é do Paulo Belzebitchy e diz assim "Bixa homofóbica tu não é melhor do que as bichas femininas, se bixa fosse hétero gostava de vagina mas tu também dá o cu e também chupa rola... Então segura a sua onda que tu também é baitola!". O outro é do STA! e diz "Masculinidade afetada, macho desestabilizado. Homem borrado, corpo desejante, cabeça sem crítica. Desejo que é mais forte do que o medo? Então deixa de arremedo. Pena é o preconceito dessa gente entediada que não vive a sua vida e não deixa a sua marca! Já estamos no século 21, não me venha com moralismos. A minha moral eu mesmo faço - então deixa que eu arregaço! Macho afetado, masculinidade borrada. Homem discursivo, corpo transitório. Teus gestos repetidos não escondem o desejo reprimido. Vá pra um quarto com outro homem só pra você ver o que ele vai fazer. Veja como ele se comporta, fecha a porta".

19.5.14

1984 IS NOW!


M.I.A. lança vídeo clipe de "Double Bubble Trouble" dirigido por ela mesma e cita o livro do George Orwell "1984"

17.5.14

#LGBTfobia


Hoje, 17 de maio, é o DIA MUNDIAL DE COMBATE À LGBTFOBIA e o blog ▼CCF divide uma das músicas mais inclusivas da nossa MPB cantada por Jorge Mautner e Caetano Veloso. (R)Exista!



Assim como é natural o vôo da borboleta
Assim como falta uma mão no maneta
Assim como não acho nada de anormal
No fato de você ser trocaletra
Acho que se deve ser diferente
E não como toda a gente
Mas igualmente ser gente
Como toda essa gente
Deste país continente, e de todo o planeta
Assim como é lindo o pirata apesar de ser perneta
Com uma mão segurando a mão do grumete
E com a outra a luneta
Dizendo é natural que os anjos do juízo final toquem trombeta
E vieram pelos espaços os anjos do senhor
E desceram como pára-quedas azuis e transparentes
No meio do campo de batalha
Que era televisionado vinte e cinco horas
Por dia, via satélite, a cores
E no meio dos horrores
Tocaram suas trombetas
E derrubaram a muralha de Jericó
Quem, quem, quem a não ser o som
Poderia derrubar a muralha dos ódios
Dos preconceitos, das intolerâncias
Das tiranias, das ditaduras
Dos totalitarismos, das patrulhas ideológicas
E do nazismo universal?
Acho que todo cidadão
Ou cidadã
Deve ter possibilidades de felicidades
Do tamanho de um super Maracanã
E deve e pode ser azul, negro ou cinza
Sorridente ou ranzinza
Verde, amarelo e da cor vermelha
Deve-se somente ser e não temer viver
Com o que der e vier na nossa telha
Vivamos em paz
Porque tanto faz
Gostar de coelho
Ou de coelha...

6.4.14

Comissão Nacional da Verdade vai propor a criminalização da LGBTfobia

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) poderá incluir no relatório sobre as violações dos direitos humanos no período da ditadura militar (1964-1985), a ser concluído no início do segundo semestre, a proposta de criar penalidades contra atos homofóbicos. A informação foi dada pelo cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, um dos membros da CNV, presente na audiência pública Ditadura e homossexualidade no Brasil ocorrida no sábado (29/03), no Memorial da Resistência.
“Vinte e cinco anos depois da Constituição de 1988 não existe uma legislação que puna o delito de discriminação por homofobia”, disse Pinheiro. Ele acrescentou que no período em que foi baixado o Ato Institucional  nº 5 (AI-5), em 13 dezembro de 1968, houve um freio ao movimento contra a discriminação por orientação sexual.




Entre os participantes da audiência, o pesquisador da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), Rafael Freitas informou ter tido dificuldades para obter dados oficiais sobre as torturas, perseguições e outras atrocidades sofridas pela militância - Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transsexuais e Transgêneros  naquele período, após cinco anos, os arquivos podem ser expurgados. Segundo ele, os apontamentos que conseguiu relativos as ações desenvolvidas em São Paulo, dizem respeito a política de repressão durante os governos de Paulo Egídio e Paulo Maluf, entre o final da década de 70 e o início de 1980.
O pesquisador relatou na audiência que uma portaria de 1976 criou no âmbito do 4º Distrito Policial, localizado na região central  foi usada para perseguir homossexuais, que eram levados presos a pretexto de contravenção penal por vadiagem e, depois, obrigados a declarar quanto ganhavam, e em alguns casos, passavam também a ser vítimas de extorsão. Além disso, continuou, quando a Secretaria de Segurança Pública, tinha sob o seu comando o coronel Erasmo Dias, “muitos travestis cortavam os pulsos para evitar a prisão”.
Era a Operação Limpeza, desenvolvida pelo delegado José Wilson Richetti, em maio de 1980, com o propósito de prender homossexuais, travestis e prostitutas, no centro da capital paulista, e mais de 1.500 pessoas foram detidas, esclareceu James Green, homossexual norte-americano, professor de história e cultura brasileira na Brown University, nos Estados Unidos.
Ele vivia no Brasil, no final da década de 70 e ajudou a organizar a primeira parada gay do país , em 13 de junho de 1980, contra o fim da repressão policial. “Os movimentos buscavam convencer a sociedade a aceitar que pessoas do mesmo sexo pudessem se amar e reivindicar os seus direitos. Havia um estado de terror e as pessoas tinham medo de se organizar”, disse.
No Itamaraty, exemplificou, havia uma campanha para expulsar do órgão aqueles que eram considerados subversivos, viciados em álcool e homossexuais. Já, no Rio de Janeiro,” existia uma paranoia contra os bailes à fantasia no Teatro Municipal do Rio de Janeiro porque consideravam um lugar de homossexuais que se fantasiavam de roupas luxuosas para o concurso”.

De acordo com ele, havia preconceito até mesmo entre os esquerdistas, condição que só começou a mudar após o período do exílio por conta do movimento internacional protagonizado pelo jornalista, escritor e político Fernando Gabeira.

Fonte: http://www.ebc.com.br/cidadania/2014/03/comissao-nacional-da-verdade-vai-propor-criminalizacao-da-homofobia  / editor Valéria Aguiar

5.4.14

Assista aqui o filme lindo e mara TOMBOY de 2011






Laurie (Zoé Héran) é uma menina que tem cerca de dez anos e mora com os pais e sua irmã caçula Jeanne. Laurie tem os cabelos curtos e gosta de se vestir como homem, mas quando a família é obrigada a mudar de cidade, Laurie é confundida com um menino por uma garota da vizinhança e assim para seus amigos passa a se chamar Mickael. As começam a ficar complicadas quando Lisa (a garota) se interessa por Laurie e ela passa então a viver uma dupla identidade.
Filme francês de 2011 dirigido por Célline Sciamma (Lírios D'Água).
Eu poderia ter escolhido outro filme para celebrar o dia de hoje, mas Tomboy me tocou tão profundamente que não tive como fugir. Aliás comecemos pelo significado de Tomboy: meninas que gostam de agir como meninos. 
Achei que seria pertinente falar sobre este filme porque já que estamos em tempos de "cura gay", nada melhor que uma obra que retrata a realidade de tantas crianças pelo mundo afora. Crianças que não escolhem ser homossexuais, elas apenas são.
O filme é de uma simplicidade tocante. Laurie é cativante, não existe ainda um conflito com sua sexualidade, entendemos que ela é assim! E que atuação de Zoé Héran! No início ficamos sem saber se era um menino, ou menina, apenas em uma rápida cena durante o banho é que tiramos a dúvida.
A família é linda, o roteiro é como tem que ser: aborda conflitos de crianças. Uma criança confundida com um garota e que vive um dilema: as férias estão acabando e seu segredo corre risco, ela não quer que ninguém saiba, principalmente Lisa.
Já vi muitas pessoas dizerem erroneamente em "opção sexual". Acho que esse filme veio para confirmar que se trata de uma condição, não se escolhe ser gay, lésbica, transexual, travesti, etc. Fico realmente pensando na luta dessas pessoas desde crianças já predestinadas a serem excluídas da sociedade, ou viverem de acordo com o "que é certo".
Sem dúvidas eu recomendaria Tomboy para Marco Feliciano e toda a bancada evangélica fundamentalista e homofóbica. Crianças masculinizadas ou afeminadas não são aberrações e não estão doentes, e se os filmes não servirem para pensar na nossa própria realidade, deleto imediatamente este blog.
Bem, quero dedicar esta resenha a todos os meus irmãos gays, lésbicas, trans, travestis, etc, pela coragem de se assumirem e por travarem uma luta constante contra o preconceito que infelizmente impera na nossa sociedade.
Muito amor para vocês!

Postado por Lidiana em 28/06/2013 em
fonte: o incrível Cine Toca dos Cinéfilos

Assista!


























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