• "artes visuais":
  • 2.4.14

    Quem dera eu soubesse que não aceitar a minha sexualidade me tornava mais frágil. 
    (Cecília Silveira)

    folhetim cecilia silveira revista 2


    folhetim cecilia silveira revista 3

    1.6.13


    O azul é uma cor quente é a premiada HQ da jovem desenhista francesa Julie Maroh que conta a história da descoberta da sexualidade de uma colegial. Além do uso poético da cor e de um traço belo, o desenvolvimento do enredo é de muita sensibilidade.

    Foi inspirado nessa obra que o diretor Abdellatif Kechiche produziu o filme La vie d'Adèle (A vida de Adèle), que recentemente ganhou a Palma de Ouro, em Cannes, como melhor filme. É a primeira vez que um filme de temática homossexual vence nos circuitos cinematográficos mundiais.

    Baixe aqui a versão do HQ em espanhol.


    9.7.11

    Van Dongen

      Artes Plásticas 


    Madjeska, cantor soprano (Madjeska, chanteur soprano)


    Kees Van Dongen (1877-1968), artista holandês. Morou em Rotterdam, Paris, Espanha, Marrocos e Egito, possuindo uma vasta obra pictôrica que apresenta a diversidade de experiências que ele viveu, o que se exprime inclusive pelas sucessivas mudanças das técnicas por ele utilizadas. Essa liberdade de expressão ultrapassava os limites dos movimentos de vanguarda modernistas, razão pela qual Picasso dizia que Van Dongen era o "Kropotkin do Bateau-Lavoir", o anarquista de Bateau-Lavoir, a casa dos artistas localizada no bairro parisiense de Montmartre. E, efetivamente, Van Dongen se considerava também politicamente como anarquista. Um dado interessante de muitos de seus quadros é que eles apresentam elementos de um cotidiano lûdico popular (parques, circos, bailes alegres, moulin rouge...) e uma quantidade formidàvel de retratos de mulheres independentes, talvez de forma inusitada para a época. Elas são lutadoras de boxe, vendedoras, manequins, cantoras etc.


    Dedo na bochecha (Le doigt sur la joue, 1910)




    As lutadoras (Les lutteuses)

    21.1.11

     livros 

    Fun Home











    ­Alison no centro, seu irmão à direita e o amigo-amante de seu pai à esquerda no banco de trás; seu pai ao volante e sua mãe à esquerda em uma viagem

    Alison Bechdel assumiu sua homossexualidade para os pais quando na faculdade. Em resposta, descobre que seu pai é homossexual enrustido. O tiro de Alison saiu pela culatra; em busca de independência, vê-se tragada pelo vórtice familiar mais uma vez, passando de protagonista de seu drama particular para coadjuvante do drama de seus pais. Poucos meses depois, os pais anunciam o divórcio e, em seguida, Bruce Bechdel, seu pai, morre em circunstâncias obscuras. Alison revisita sua história, da infância até o início da idade adulta, em busca de respostas para essa figura enigmática da sua vida: seu próprio pai, dando origem à novela gráfica autobiográfica “Fun Home – Uma Tragicomédia em Família“, publicada no Brasil pela Editora Conrad em 2007.
    A autora escreve quadrinhos para fanzine desde sua juventude, e mantém a escolha dessa mídia na qual se sente mais confortável, a fim de executar em “Fun Home” um estudo extremamente íntimo de sua família e de si mesma, querendo claramente acertar as contas com uma figura importante na sua formação de caráter, ainda que ele já tenha partido. Alison investiga pequenos detalhes do caráter do seu pai, eventos marcantes da família e cria pontes que a ligam ao seu pai, uma figura sempre distante.
    Alison mostra domínio da linguagem da mídia de sua escolha. Desfia suas memórias de maneira fluida, encadeadas em um fluxo de consciência que é belissimamente ilustrado e pintado unicamente em tons verdes de aquarela. As referências literárias – da mitologia grega à literatura moderna – surgem organicamente em meio às memórias, revelando a erudição da autora e são usadas em abundância por serem uma das poucas pontes de proximidade entre pai e filha. A paixão pela literatura os une, a primeira exploração da homossexualidade de Alison se dá pelos livros. Ainda que apaixonada pelas letras, essa idolatria pela escrita não atropela o uso da imagem. Pelo contrário, a justaposição entre palavras e imagens é usada com diversas finalidades, tendo como resultado final uma poesia ímpar, sem que o formalismo da experimentação deixe-se transparecer.
    Em um poderoso momento, no final do 1º capítulo, o texto relata o distanciamento entre pai e filha, próximos fisicamente, mas distantes emocionalmente. A imagem desse quadro mostra pai e filha em posições opostas, enquanto trabalham no jardim da casa. O pai plantando uma árvore enquanto a filha segue com o trator, afastando-se do pai. Entre texto e imagem ocorre uma justaposição de idéias inesperada em sua força, palavra e imagem sublinhando e ressaltando um ao outro. Em resumo, expõe a triste relação entre eles.

























    ­
    ­Por sua vez, um momento dramático é devidamente esticado. O momento de maior proximidade entre pai e filha é contado em quadros simétricos, menores, de forma a estudar o tempo e dar ênfase aos detalhes de cada instante e de cada frase proferida. A voz sempre presente da narradora aparece pontual e cautelosa. E o momento passa, um anticlímax emocional que se encerra como o próprio momento em si e sua continuação, com uma frustrada ida a um bar gay. Um anticlímax emocional extremamente bem construído, no qual forma e conteúdo se espelham.

    ­
























    ­­Alison formula perguntas sem respostas para relações indecifráveis, dando a obra uma aura maior que a vida. Porque a mãe, retratada como uma figura forte, se sujeita a uma condição dessas em seu casamento? Quais os reais motivos que levaram a morte do seu pai?

    Alison passeia por suas memórias, questionando-as o tempo todo e expõe-se de forma espantosa e admirável, um esforço hercúleo em busca do pai, da imagem que ela tem do pai e o legado que ele deixou.

    Seu pai partiu deixando dúvidas no ar, e viveu uma vida de acobertações e subterfúgios. Como pode essa figura paterna evasiva ser um dos pilares da criação de uma família? Dolorosamente, Alison Bechdel abre as feridas de sua gênese, humanizando o pai que sempre esteve em um pedestal longínquo. Essa é o encanto final dessa obra cingida em emoções complexas – uma filha buscando um último abraço do pai, o entendimento de seu legado, e honrá-lo.

    Texto escrito por Roger Mestriner é graduando em Imagem e Som pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

    26.5.10




    O cineasta Vagner Almeida, nomeado pelo Brasil em 2008 para o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, estreiou seu novo documentário, “Sou Mulher, Sou Brasileira, Sou Lésbica”, no dia 25 de junho, no rio.
    O filme trata da vida de mulheres brasileiras e seus enfrentamentos na sociedade lesbofóbica e racista. A força da produção está nas falas e nas vozes dessas mulheres – mães, filhas, tias, avós, amantes, parceiras...

    Antes dessa obra, produziu "Sexualidade e crimes de ódio" (2008), "Basta um dia - living day by day" (2006, premiado na Nova Zelândia), "Butterflies - Borboletas da vida" (2005, premiado nos EUA).

    Atualmente é Associado ao Programa de Gênero, Sexualidade e Saúde Sexual do Departamento de Ciências Sociomédicas da Universidade de Colúmbia (EUA), além de Coordenador da ABIA - Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS.

    ...fale com ele...

    Vagner Almeida
    e-mail: vagner.de.almeida@gmail.com
    office e-mail: va2102@columbia.edu
    http://www.vagnerdealmeida.com/main.htm

    6.4.10

    Slava Mogutin


    Slava Mogutin é um artista americano nascido na Russia e tem seu trabalho manifestado em fotografia, pintura, video, escultura, texto e representação teatral. Nascido na Sibéria em uma cidade industrial chamada Kemerovo, mudou-se para a Moscow aos 14. Filho de escritor de livros infantis logo tornou-se jornalista e editor dos primeiros meios de comunicação independentes da região como jornais e estações de rádio. Seu primeiro ensaio aos 17 anos trazia o título "Como eu assaltava em Paris" e dedicado a Jean Genet lhe garantiu admiração por certos editores que mais tarde ficariam contra ele. Aos 21 anos por tratar francamente de assuntos sobre cultura gay ele ganhou aclamação da crítica e condenação oficial daquilo que escrevia. Tendo sido acusado de coisas como: "vandalismo malicioso com cinismo excepcional e extrema insolência" e tendo seu trabalho visto como "propaganda de violência brutal, patologia psíquica e perversão sexual" se viu obrigado a deixar o país. Fugindo de uma sentença que poderia passar de sete anos conseguiu refúgio político apoiado pela Anistia Internacional nos Estados Unidos em 95. Em solo americano foca-se nas artes visuais e torna-se membro ativo da cena artistica de Downtown, Nova York. Desde 1999 suas fotos tem sido exibidas internacionalmente, suas poesias, ficções, ensaios e entrevistas têm aparecido em várias publicações e antologias em oito línguas. Slava também traduziu para o russo poesias e ensaios de Allen Ginsberb e William Burroughs, autores da geração beat.
    "Eu estou tentando analisar o próprio conceito de "vergonha" por ser completamente 'sem vergonha'.É por isso que eu sou tão fascinado pela velha pornografia, pré AIDS, onde o sexo capturado no filme não era tão mecânico, sem emoção, plástico ...Gosto de fotografar pessoas vulneráveis, situações íntimas, como um cara cheirando as axilas de outro cara, um menino com um pepino no rabo ou skinheads alemães cuspindo e mijando em si. A questão é que meus modelos tem de ser totalmente confortáveis comigo e com minha câmera para que eu os fotografem. É sobre confiança e compaixão. Acho esses tipos de cenas totalmente envolventes e bonitas e eu não preciso de aprovação moral de ninguém do meu trabalho. Como Rimbaud disse certa vez: "A moral é um tipo de doença cerebral". Eu sempre gostei de quebrar tabus e estereótipos. Eu acho que isso é o que a verdadeira arte é! "

    17.11.09





















    a dupla pierre et gilles estará em exposição no rio até 17/01, os dois estão juntos desde a década de setenta e além das artes visuais também trabalham com a fotografia.

    16.10.09

    mistérios queer




















    clique na imagem para ampliá-la

    Antes de morrer, David Canon Dashiel realizou uma exposição no Instituto de Arte de São Francisco - eua, chamada "Mistérios Queer" (Queer Mysteries), que foi um barraco em 1993. Mas não demorou para que as 28 obras em acrílico em questão entrassem para o acervo do Museu de Arte Moderna de São Francisco. As imagens compõem cenas que retomam o Mural de Pompéia, com a destruição da cidade, relacionando-o com o fim que tiveram Sodoma e Gomorra - sem deixar de ilustrar um ritual de iniciação nos mistérios de Dionísio.

    Alyson Mairi Sime vê no conjunto de obras uma referência moderna à crise d'Aids:

    "Seu [do artista] culto de mistério, ameaçado pela perseguição e pela catástrofe iminente, é a comunidade homossexual ameaçada pelo preconceito e devastada por um vírus letal. São Francisco, com sua população gay altamente visível, suas saunas (pré-1984), e suas subversões, não é uma contrapartida moderna inapta à Pompéia Romana. Ao convidar a esta comparação, no entanto, Dashiell, que morreu de Aids no mesmo ano em que criou este trabalho, foi duramente criticado pela direita religiosa.


    Assista!


























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    Desde 2008

    plano de fundo: "Emancipação" de Elisa Riemer

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