• "trem pé vermelho":
  • 15.12.12

    Maringay: Maringratos engavetam Niemeyer

    O Novo Centro de Maringá seria uma praça modernista de uso público e edifícios arrojados se o Projeto Ágora, do arquiteto Oscar Niemeyer*, encomendado nos anos 1980, tivesse ido adiante. A estudante da UEM, Jeanne Christine Versari, estudou as duas versões do projeto, de 1986 e 1991. Seu artigo de iniciação científica ganhou menção honrosa da Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo (Fenea), no último mês. Segundo sua coordenadora, a professora Fabíola Castelo de Souza, o projeto pode não ter passado de estratégia de marketing da cidade.

    A concepção inicial foi encomendada a Niemeyer pelo prefeito Said Ferreira (1983-1988), em 1986, para reocupar o espaço de três glebas, medindo cerca de 200 mil metros quadrados, que fora pátio de manobra de trens e estação ferroviária.
    Ele propôs uma ágora (praça, em grego) futurista com torres para hotéis de luxo e condomínio, escritórios e lojas. “Era um projeto absolutamente modernista”, qualifica a coordenadora, “em relação à cidade, seria muito distinto”. Para erguer o que foi imaginado pelo criador de Brasília, a prefeitura criou a Urbamar, empresa de economia mista.
    “A imagem anunciada pela gestão municipal procurava reforçar a ideia de modernidade que seria imposta por meio de um projeto para a área central, o qual possibilitaria o progresso e o desenvolvimento econômico da cidade”, traz o artigo O Projeto Ágora: proposta de Niemeyer para a primeira reestruturação da área central de Maringá, Paraná, co-orientado pelo professor Aníbal Verri Júnior.
    Grande demais - De tão inovador, o projeto “não coube’ na Maringá da época. Talvez, não estivesse nos planos da prefeitura tirá-lo do papel. “[O Ágora] era uma grande peça de marketing, saia muito caro construí-lo”, diz a professora Fabíola.
    De concreto, só o rebaixamento da linha férrea, que tornou possível ligar o norte e o sul da cidade, e a maquete guardada na prefeitura. Os lotes foram vendidos e o dinheiro usado na abertura das avenidas Duque de Caxias e Herval, como parte da adaptação do plano, em 1991, na gestão de Ricardo Barros (1989-1992). Dois anos depois, o projeto é rebatizado como Novo Centro e não sobra nada do traço de Niemeyer.
    Para a professora, é mais um exemplo de projeto grandioso que surpreende pelo tamanho e acaba encalhado. “A gente tem uma crítica a esses grandes projetos, que encantam as pessoas, mas depois a gente só vê uma transferência de áreas para o patrimônio privado”, analisa Fabíola. Esse tipo de manobra do poder público, acredita, favorece a especulação imobiliária. “No final, não se faz nada para o uso público”.
    Na análise de Jeanne, que disputou a menção honrosa da Fenea com outros nove artigos, apesar de o projeto de Niemeyer não se integrar à cidade, Maringá perdeu “uma grande oportunidade de usar esse espaço público”, que ainda continua parcialmente desocupado.
    O trabalho foi exposto no 36º Encontro Nacional de Estudantes de Arquitetura, em Salvador (BA). Para escrever o artigo, Jeanne pesquisou acervos públicos, como os do Museu da Bacia do Paraná, notícias da época, recortes de revistas e fotografias. Nessa garimpagem, ela se deparou com uma entrevista do criador do Ágora à Revista Tradição, em 1987. “Nossa preocupação”, disse Niemeyer à publicação, “ao projetar essa grandiosa área no centro de Maringá foi, antes de tudo, criar um novo espaço verde, humanizando, fazendo a cidade respirar melhor”.
    A estudante teve a bolsa renovada pelo CNPq e Fundação Araucária, por mais um ano, e vai continuar debruçada sobre o sonho de Niemeyer.
    Texto publicado originalmente na edição 106 (setembro/2012) do jornal da Universidade Estadual de Maringá (UEM) por Carlos Henrique Braga sob título "Maringá engaveta Niemeyer"

    *O arquiteto e urbanista morto no último dia 10/12/2012 completaria 105 anos hoje!

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    Leia também o projeto "O 'Falso' Novo Centro de Maringá-PR"

    5.12.12

    Maringay: Trem Maringá-Londrina pode ser o primeiro a receber verbas do PAC mobilidade!


    O projeto do Trem Pé Vermelho, alternativa de transporte de passageiros no eixo Londrina – Maringá  (Paiçandu-Ibiporã), pode ser um dos primeiros a receber verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Mobilidade Médias Cidades. Segundo avaliação do Ministério das Cidades, divulgada nesta terça-feira (27), o projeto estaria em um estágio mais avançado do que as outras propostas, e pode ser o primeiro a ser colocado em prática. Representantes do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Londrina (Ippul) estiveram na reunião, realizada em Brasília. O protocolo das propostas deve ser entregue até 7 de dezembro.

    Estudos realizados pelo Laboratório de Transportes da Universidade Federal de Santa Catarina (Labtrans) apontam uma demanda diária de mais de 30 mil passageiros por dia. A região beneficiada pelo Trem Pé Vermelho concentra mais de um quarto de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do estado, tem mais de 44 mil empresas instaladas, conta com duas universidades estaduais e várias faculdades.
    O próximo passo para viabilizar o projeto é a obtenção dos termos de anuência dos treze municípios envolvidos, necessários para a elaboração dos projetos de construção da linha férrea. O custo estimado do investimento, no regime de parceria público privada (PPP), é de R$ 671,8 milhões. A ferrovia terá cerca de 150 quilômetros de extensão entre Ibiporã e Paiçandu, e a previsão é que transporte pelo menos 13,2 milhões de passageiros no primeiro ano de operação. Há ainda a possibilidade de que o trem a ser implantado seja do tipo Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), que trafega entre 80 e 100 quilômetros por hora.

    O Brasil conta com uma empresa brasileira de VLT's (Veículo Leve sobre Trilhos), a Bom Sinal. Atualmente a região Nordeste tem investido mais nessa tecnologia e com a Copa, cidades como Cuiabá, Recife e Brasília também adotarão este sistema.

    Assista!


























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