12.2.14
10.6.10
Menines superpoderosas

"Foi dureza sair do armário em Ohio, sendo eu uma lésbica de 15 anos de idade", conta a norte-americana Jocelyn Samson. Aos 17 anos, sentindo-se sufocada, ela teve de deixar o subúrbio natal, Pepper Pike, em Cleveland, e rumar para Nova York, onde se engajou em estudos de arte e em bicos como iluminadora em espetáculos de arte de vanguarda.
Foi fazendo projeção de imagens no show do grupo Le Tigre, referência do electropunk, que ela foi convidada a integrar a banda. Desde então, mudou o nome para JD Samson e tornou-se uma espécie de líder natural das lésbicas modernas do Brooklyn e adjacências, um modelo de inquietação artística e comportamental. Ao lado da também colega do Le Tigre, Johanna Fateman, ela toca dia 10 no Comitê, em São Paulo, como atração principal do festival Popload Gig, mostrando seu novíssimo projeto musical MEN.
A militância gay de JD Samson é enérgica e firme, e ela trata disso o tempo todo, seja em sua atuação como artista visual ou como estrela da cena musical, empunhando o orgulho sexual nas letras das músicas que canta, como Viz, do Le Tigre. "Não é algo que eu queria fazer deliberadamente. Não estou tentando ser uma líder, mas apenas ser feliz em minha carreira e minha vida. O problema é que, para isso, tive de enfrentar certas barreiras", disse a DJ e cantora ao Estado, por telefone, falando de sua casa no Brooklyn.
JD tem também outra faceta musical, o Hirsute, e é dali que vêm os outros integrantes do MEN, Michael O"Neill (também integrante do Princess e Ladybug Transistor) e Ginger Brooks Takahashi (também membro do LTTR e The Ballet). Essa é a banda no palco. Johanna Fateman e Emily Roysdon completam o time como "artistas contribuintes" eventuais.
"A música sempre foi importante para mim. Quando criança, eu ia sentada no banco de trás do carro dos meus pais pensando em canções, imaginando remixes, reinventando o que ouvia no rádio. Não aprendi instrumentos até os 15 anos, e ouvia muita música pop. Depois, tomei conhecimento da punk music e fui criando a música que faço hoje", contou.
Fã de coisas aparentemente díspares, como Joan Armatrading ("ela é incrível, é um ídolo para mim"), Hot Chip e LCD Soundsystem, ela conta que, ao menos com esses dois últimos nomes, a influência é mútua. "Como eu conheço todos eles, o que acaba acontecendo é que um inspira o outro. Acho isso realmente importante, o diálogo entre pessoas que fazem a música", afirmou.
A cantora conta que já esteve em São Paulo há três anos, como DJ, e tocou numa festa dentro de uma velha igreja. Não lembra o nome. Ela é cofundadora do grupo de performance artística Dykes Can Dance. Em 2003, ela lançou o JD"s Lesbian Calendar, uma colaboração com o fotógrafo Cass Bird, que teve uma continuidade em 2006 com o documentário JD"s Lesbian Utopia, no qual ela registrava suas viagens através dos Estados Unidos.
Muitas das canções do Le Tigre eram carregadas de um acentuado cinismo, ou ironia, como na letra de What"s Yr Take on Cassavetes, uma espécie de piada musical a respeito dos filmes do diretor de cinema John Cassavetes. JD Samson gritava: "Misógino!", e suas colegas Kathleen Hanna e Johanna Fateman devolviam: "Gênio!", e todas juntas cantavam o refrão: "What"s your take on Cassavetes? What"s your take on Cassavetes?" ("Qual é a tua opinião sobre Cassavetes?").
A artista comentou essa ênfase debochada nas letras. "A ironia está presente em quase toda a arte. É uma forma de chamar a atenção, como numa caricatura", considera. "Quando você está falando para um público gay, você quer que eles te entendam, e a ironia é uma sofisticada forma de linguagem muito compreendida entre gays. Faz rir, faz pensar, faz concordar ou discordar, mas não fica em cima do muro."
Segundo a cantora de voz de androide, quando atua como DJ o importante não é impor um set ao público, mas sentir o que o público quer. "Tudo depende de onde estou. Posso tocar hip-hop, dance, punk rock. Outro dia me dei muito bem tocando dance music no México. É muito importante pesquisar e estar preparada para oferecer aquilo que o público quer. Quero que as pessoas se divirtam. Agora, você tem de saber sentir a plateia", considera. Em um dos sets recentes, ela alternou Ting Tings, Daft Punk, Lykke Li, CSS e Gwen Stefani.
JD Sampson disse que ainda não viu grande mudança comportamental nos Estados Unidos na era Obama. "Não aquela mudança que eu esperava", mas não se diz frustrada com isso. "Há uma tentativa, pelo menos." Também contou que outro dia voltou ao seu subúrbio em Cleveland para tocar com sua banda. Sempre quis saber como seria após ter se tornado um ícone gay. "Não foi caloroso. Mas minha família foi me ver. Para mim, foi uma grande experiência estar no palco tocando e lá embaixo meus avós me assistindo." Escrito por Jotabê Medeiros no caderno novo do Estadão, C2 + música
Men - Who Am I To Feel So Free
por
Adá
sobre
jd samson,
jotabê medeiros,
men,
meninas superpoderoas,
militante lésbica,
música,
nova york
1 comentário
Assinar:
Postagens (Atom)
radio
Assista o trecho do documentário "Out There" de Stephen Fry sobre o perigo e a busca do retrocesso social no Brasil por políticos fundamentalistas religiosos
BLABLABLÁS: Golpe contra a sexualidade / LGBTs foram alvo privilegiado da ditadura brasileira e são parte fundamental da reinvenção democrática
- >
Comissão Nacional da Verdade irá propor a criminalização da LGBTfobia
O tema da Parada Gay de SP 2014 será "País vencedor é País sem HomoLesboTransFobia! Chega de Mortes! Criminalização Já! Pela aprovação da Lei de Identidade de Gênero (LEI JOÃO NERY). Entenda a lei!"
Literatura: Leia o conto "Aqueles Dois" do escritor brasileiro de Gay Port, Caio Fernando Abreu!
CINEMA: Assista o curta "Um canto de amor" de 1950 do Jean Genet
Leia o texto da Hilda Hilst falando sobre o "nu" masculino em público
ARTES VISUAIS: Sadao Hasegawa e + outrxs artistas
Blablablás: Homofofia como comportamento de esquiva de sua própria homossexualidade
BRASIL: Empresas do cartel #TREMsalão faturaram R$ 784 milhões em contratos com Alckmin (PSDB-SP) em 2013
PINK BLOC: Pauladas de amor livre, quebra da homofobia!
Música: Sapas fazendo música!(CÁSSIA ELLER)
Música: Travis fazendo música!(MC XUXU)
FOTOGRAFIA: A primeira TOP transex do mundo, a brasileira LEA T, fotografada por Terry Richardson no RIO
MÚSICA: Ouça o disco de 79 da amada Angela Ro Ro ♥
THIS IS A REVOLUTION AND TOGETHER WE WILL WIN!
Assista o documentário de 2009 sobre o grupo revolucionário de teatro e dança DZI CROQUETTES!
MÚSICA: Ouça todinho aqui o disco de 2013 "Atento aos sinais" do nosso adorado Ney Matogrosso!
BLABLABLÁS:A perseguição aos homossexuais no Brasil nos anos 80 e a burrice disseminada pelos jornais e TV documentada / Documentário de 1988 "Hunting Season / Temporada de caça" de Rita Moreira. Assista Aqui!
BLABLABLÁS: "Sobre a novela e o ódio" é o texto de estreia da amada Michelle Tambosi no blog!
PINK BLOC: Pauladas de amor livre, quebra da homofobia!
PINK BLOC: Pauladas de amor livre, quebra da homofobia!
Literatura: Leia o conto "Aqueles Dois" do escritor brasileiro de Gay Port Caio Fernando Abreu!
Música: "Mulato Bamba" de Noel Rosa é o primeiro samba gay da MPB!
O transhomem João W Nery lança autobiografia!
Blablablás / TV: A Globo reforçando estereótipos.Texto 'Gays: ridicularizar é desumanizar' do Alexandre Vidal Porto
-
Artes Plásticas: O contemporaníssimo Geoffrey Chadsey!
ARTES VISUAIS: Sadao Hasegawa e + outrxs artistas
Fotografia: Kohei Yoshiyuki, vouyeur entre os vouyeurs!
Cinema: "Vá e Veja", um dos maiores filmes anti-bélicos da História
O cinema anarquista de Shuji Tereyama
Foucault hablando em revista em 81 sobre a homossexualidade
Música: Sexy Sushi e o desejo
Edwarda: revista francesa do jeitinho que a gente gosta
Mostra dialoga com crianças, mas principalmente com adultos ao tratar as transex
Filme do Fassbinder mostra onde os fortes não tem vez
Livro avalia a abordagem da TV brasileira em relação à homossexualidade
>
Série "Balada da Dependência Sexual" por Nan Goldin
Blablablás: E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor?
